Golpistas usam inteligência artificial para aplicar fraudes contra familiares de vítimas da Boate Kiss
Criminosos prometem liberar indenizações relacionadas à tragédia de 2013 e exigem pagamentos antecipados. Há relatos de falsas audiências simuladas com inteligência artificial.
Quase 14 anos após o incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria, que deixou 242 mortos em janeiro de 2013, familiares das vítimas estão sendo alvo de golpes envolvendo falsas promessas de indenizações judiciais.
Segundo relatos, criminosos entram em contato afirmando representar a Justiça, advogados ou intermediários. A promessa é liberar valores relacionados aos processos da tragédia, mas, antes disso, exigem depósitos, transferências ou pagamentos antecipados.
Grande parte das ações cíveis movidas pelas famílias por danos morais e indenizações ainda aguarda decisão no Tribunal de Justiça.
Golpes com inteligência artificial
Os criminosos utilizam informações reais sobre os processos para dar credibilidade às abordagens. Em um dos casos relatados, uma audiência teria sido simulada com o auxílio de inteligência artificial, criando uma situação falsa para convencer a vítima.
A delegada Débora Dias alerta que o avanço da tecnologia tem tornado as fraudes eletrônicas mais convincentes. A recomendação é não fornecer dados pessoais, evitar links suspeitos e interromper contatos duvidosos.
Famílias relatam prejuízos
O presidente da Associação das Vítimas da Tragédia de Santa Maria (AVTSM), Flávio Silva, relatou que uma mãe de Manoel Viana teria perdido R$ 1 mil após cair em um golpe. Outra mãe, de Tapera, recebeu uma ligação com a falsa informação de que havia vencido uma ação judicial.
O advogado da associação, Pedro Barcellos Jr., orienta os familiares a confirmar qualquer informação diretamente com o profissional responsável pelo processo. Quem já realizou transferências deve comunicar imediatamente o banco e registrar ocorrência policial.
Relembre a tragédia
O incêndio ocorreu em janeiro de 2013, quando um artefato pirotécnico utilizado por um integrante da banda atingiu a espuma do teto do palco. A fumaça tóxica provocou a morte de 242 pessoas, a maioria por asfixia.
Fonte: G1
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